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Comparativos29 de outubro de 20265 min de leitura

Quanto a taxa do consignado varia

Doze meses de dados do Banco Central mostram a distância entre as taxas do consignado do INSS, do servidor público e da carteira assinada. Como achar a sua nessa régua.

O consignado tem a fama de ser o crédito de taxa baixa, e no geral é mesmo, porque a parcela sai direto da folha ou do benefício. O que pouca gente vê é o quanto a taxa muda de uma instituição pra outra dentro da mesma modalidade. Essa diferença é a razão de existir da portabilidade: se todas cobrassem igual, não haveria pra onde levar a dívida.

O Banco Central publica a taxa média de cada instituição, modalidade por modalidade. A gente juntou doze meses dessas publicações (outubro de 2025 a setembro de 2026) pra ver o tamanho da distância nos três tipos de consignado.

Em resumo
  • No consignado do INSS as taxas ficam próximas: a média de doze meses foi de 1,52% a 1,89% ao mês entre as 30 instituições que apareceram em todos os meses.
  • No consignado do servidor público, metade das instituições ficou entre 1,67% e 2,04% ao mês, com algumas bem acima disso.
  • No consignado da carteira assinada a distância é grande: de 2,05% a 5,96% ao mês, e 12 das 45 instituições cobraram, em média, o dobro da taxa ou mais da primeira da lista.

Os números

ConsignadoInstituiçõesMenor médiaMetade das instituições entreMaior média
INSS (aposentados e pensionistas)301,52% a.m.1,71% e 1,86% a.m.1,89% a.m.
Servidor público381,50% a.m.1,67% e 2,04% a.m.6,92% a.m.
Carteira assinada (privado)452,05% a.m.2,78% e 4,14% a.m.5,96% a.m.

Média de doze meses (out/2025 a set/2026) da taxa de cada instituição, só entre as que apareceram nos doze meses. Fonte: Banco Central, API de taxas de juros por instituição (consulta unificada, modalidades prefixadas), extração de 28/10/2026. A média do mês é conta da Portabiliza, explicada no fim do artigo.

O INSS tem teto de juros fixado por norma, e as taxas se espremem abaixo dele. No servidor e na carteira assinada a régua é mais larga. Na carteira assinada, a mediana das 45 instituições ficou em 3,29% ao mês.

O que essa distância faz com uma parcela

Um exemplo ilustrativo, pela Tabela Price, com taxas arredondadas das duas pontas da faixa do meio da carteira assinada: saldo de R$ 10.000, 36 parcelas restantes.

Taxa de 4,1% a.m.
Saldo devedor
R$ 10.000
Parcelas restantes
36
Parcela mensal
~R$ 536
Total a pagar
~R$ 19.304
Taxa de 2,8% a.m.
Saldo devedor
R$ 10.000
Parcelas restantes
36
Parcela mensal
~R$ 444
Total a pagar
~R$ 16.001
Diferença no total, mesmo saldo e mesmo prazo
~R$ 3.303

São cerca de R$ 92 a menos por mês, no mesmo prazo. No INSS, com as taxas tão próximas, a mesma conta dá diferenças bem menores, e por isso lá cada décimo de ponto pesa.

Esse exemplo não é proposta de crédito. A taxa que uma instituição parceira oferece depende da análise de crédito de cada pessoa.

Como achar a sua nessa régua

  1. Ache a taxa do seu contrato. Ela está no contrato, no aplicativo da instituição ou no extrato de empréstimos. Use a taxa ao mês.
  2. Veja em qual consignado você está. INSS, servidor público ou carteira assinada: cada um tem a sua régua na tabela acima.
  3. Compare com a faixa do meio. Se a sua taxa está acima da faixa em que fica metade das instituições, a distância até lá é o espaço que uma portabilidade pode encontrar. Se está dentro ou abaixo, o ganho tende a ser menor.
  4. Confira na fonte. O Banco Central publica as taxas de juros de operações de crédito por instituição, em janelas de cinco dias úteis, modalidade por modalidade. Uma semana sozinha oscila; por isso aqui usamos doze meses.

Os números do Banco Central são a média das operações novas de cada instituição, pesada pelo volume. A taxa do seu contrato pode estar longe da média da sua própria instituição, pra cima ou pra baixo, porque depende de quando e como ele foi feito.

Como fizemos a conta

O Banco Central não publica a taxa mensal do consignado por instituição. O que ele publica são janelas de cinco dias úteis, uma começando a cada dia útil. A média de cada mês, aqui, é a média simples das janelas que começam naquele mês, e a média de doze meses é a média dos doze meses. Entraram só as instituições presentes nos doze meses, para não comparar quem apareceu uma semana com quem esteve o ano todo. As janelas se sobrepõem, então cada dia útil pesa igual, sem o peso de volume que o Banco Central usa dentro de cada janela.

As modalidades são as que o Banco Central rotula como "Crédito pessoal consignado INSS", "Crédito pessoal consignado público" e "Crédito pessoal consignado privado", todas prefixadas. A Portabiliza não publica aqui nomes de instituição: a lista completa, com nomes, está na própria fonte do Banco Central, e qualquer pessoa pode conferir.

Fontes e limites

Banco Central do Brasil, taxas de juros de operações de crédito por instituição (API Olinda, consulta unificada), janelas de outubro de 2025 a setembro de 2026, extração de 28/10/2026. Médias mensais e de doze meses calculadas pela Portabiliza. Exemplo numérico ilustrativo, via Tabela Price, não é proposta de crédito. A Portabiliza é correspondente bancário nos termos da Resolução CMN nº 4.935/2021 e não define taxa: quem propõe e aprova é a instituição financeira parceira.

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